EXPOSIÇÃO:

ESPELHO AMAZÔNICO

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Foto de Christiane Laclau

Christiane Laclau

Fundadora da Artmotiv

Alberto Saraiva acumula uma experiência sólida e versátil nas artes brasileira e latino-americana. Enquanto artista, participou de exposições renomadas como a Bienal do Mercosul. Em sua carreira de curador, conta com a Bienal do Fim do Mundo, entre outras mostras que se tornaram referência. Como gestor, esteve à frente de duas instituições fundamentais para a cena contemporânea nacional: o antigo Oi Futuro e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Ainda assim, para esta exposição, ele escolheu o desafio de revisitar o que permaneceu intocado ao longo de décadas.

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Em Espelho amazônico, Saraiva apresenta um conjunto inédito de sete pinturas que marcam a primeira elaboração artística que fez sobre as paisagens de sua formação: a floresta amazônica como um lugar íntimo e mítico que ele recria. São composições moldadas e amalgamadas pelas experiências de sua infância entre rios fartos, nuvens altas, matas cerradas e intensa umidade. Nelas, a água, a luz e as formas vegetais são entrelaçadas por pinceladas marcadas por brilhos e reflexos que têm como referência os espelhos d’água.


Na contramão da literalidade e da ilustração, Saraiva rejeita a iconografia da floresta exuberante e exótica. Sem a onça, o jacaré ou os grandes panoramas, suas telas apresentam uma botânica afetiva com um traço tão expressivo quanto delicado. São frutos e folhas de quintais, festas, rituais e ruas manauaras de suas memórias familiares: o guaraná, o biribá, a pupunha, o cupuaçu, a vitória-régia, a flor do cupuaçu, a flor-da-lua — bromélia rara que se abre apenas sob a luz da lua cheia —, entre outros.

Os blocos de nuvens e cores do céu têm papéis cruciais nessas composições. Nessa atmosfera suspensa, as luzes evocam mais que o amanhecer ou o poente, mas ao fenômeno dos rios voadores — massas de umidade formadas pela evaporação dos rios e pela transpiração da floresta. Outro elemento fundamental nessas obras é o ponto de vista de quem está ilhado, sensação recorrente em Manaus que refunda conceitualmente o horizonte. Tão amazônico quanto carioca, Alberto Saraiva funde origem e destino se misturam em sua pintura.  

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