2025 é o Ano da França no Brasil e o do Brasil na França. A celebração conjunta inédita marca
os dois séculos de laços prósperos entre os dois países. Pilotis au Brésil se soma ao
calendário festivo sob o viés antropofágico: Alvaro Seixas apresenta uma cartografia que
mapeia a presença francesa na cultura brasileira. Da arquitetura à moda, da pintura à cultura
popular, as referências originalmente importadas se diluíram como parte de nós.




Em destaque, estão os pilotis modernistas de Le Corbusier, admitidos como metáfora no título
desta exposição. Símbolos da arquitetura racionalista, eles suspendem a imponência dos
edifícios privados para integrar a espontaneidade do espaço urbano nos projetos. Para além do
espaço moderno, essa hibridização é própria do mecanismo de fazer cultura, onde o purismo
será sempre fadado ao fracasso.
Com o humor, a agilidade e a ironia dos quadrinhos, Seixas reinterpreta as ideias francesas e
suas diversas releituras em território nacional, inserindo a si mesmo nesse ciclo sem fim. Essa
imprecisão não é apenas conceitual. Ela estrutura materialmente a cartografia do artista. Sem
bússolas cronológicas ou espaciais, cabe ao espectador determinar como irá percorrê-la. A
aleatoriedade é apropriada também do trânsito real das referências históricas que, aqui,
ganham a forma gráfica. Elas estão por toda parte:



Nas já citadas fachadas modernistas, mas também no Art Déco dos bairros suburbanos e no
Art Nouveau — que não é exclusivamente francês, mas predomina no Theatro Municipal
carioca, inspirado na Ópera de Paris; nos livros escolares ilustrados com as pinturas de nossa
identidade nacional, orientada muitas vezes por modelos franceses; no carnaval das escolas
de samba, onde a Portela já desfilou com figurinos assinados por Jean-Paul Gaultier; nas
vitrines revolucionadas pela Printemps — fundada em 1865, a loja de departamento francesa é
símbolo do elo do mundo da moda com a arquitetura de luxo, de vitrais e escadarias
monumentais, e campanhas sofisticadas, tornando-se um padrão para lojas brasileiras de
diversos setores até a atualidade.
Por outro lado, também há o voo de Santos Dumont sobre Paris e a photographie de Hercule
Florence, que foi inventada três anos antes do daguerreótipo, inserindo o Brasil na corrida pela
invenção da fotografia. A obra aberta de Alvaro Seixas convida o público a completá-la,
contribuindo na construção poética da História como montagem. Além deste painel principal do
ArtWall, ela continua nos totens retroiluminados no nível 0 do Shopping Leblon e no vídeo onde
o artista e professor revela os episódios históricos que estão por trás de seus desenhos.







