A obra de Romain Dumesnil nasce do encontro entre a proximidade com a natureza e o interesse pela decomposição da figura. Surgem formas e cores reconhecíveis, ao mesmo tempo em que a representação se dissolve. Essa tensão atravessa Quanton, instalação cujo título sugere um estado instável, marcado por movimento contínuo.
Pensada como uma “obra-paleta”, a instalação percorre variações cromáticas entre verdes e tons terrosos, organizadas em um mural de equilíbrio instável. Dumesnil aproxima linguagens historicamente afastadas. O rigor geométrico associado ao concretismo entra em fricção com manchas e borrões impressionistas que prescindem da forma. O que se estabelece é um campo de deslocamento sustentado por cores que não se fixam.



A instabilidade se amplia pelo caráter participativo da obra. A simetria inicial surge como um arranjo aberto, disponível à ação contínua do público. Quanton existe menos como imagem definitiva e mais como sistema em transformação, no qual cada gesto introduz uma variação. O tempo atua como ferramenta da própria obra.
As transições cromáticas sugerem paisagens contrastantes, entre densidade vegetal e aridez, criando uma atmosfera ambígua que remete à fragilidade dos biomas e à possibilidade de recomposição. A obra evita o discurso ilustrativo e opera como espaço de fabulação, onde a convivência de elementos distintos abre leituras.



Esse interesse pela mutabilidade e pelo uso coletivo atravessa a trajetória de Dumesnil. Sua investigação do esgarçamento da figuração deságua em dispositivos que solicitam presença e ação compartilhada, integrando o gesto individual a uma dinâmica coletiva construída ao longo da experiência.
Nascido na França e radicado no Brasil, Romain Dumesnil estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, onde também cofundou o espaço independente Átomos. Sua produção foi apresentada em exposições individuais no Brasil, em Portugal, na França, na Coreia do Sul e na Itália. Em 2021, foi o artista mais premiado da Jeune Création, reconhecimento que resultou no convite para a criação de um projeto de arte pública em Paris, com início previsto para 2026.




