Pintura de serpente entre folhagens, de Antonio Kuschnir, na exposição Alma

EXPOSIÇÃO:

ALMA

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Foto de Christiane Laclau

Christiane Laclau

Fundadora da Artmotiv

Em Alma, Antonio Kuschnir apresenta uma nova fase de sua produção. Sua pintura, até aqui marcada pela presença recorrente da figura humana, volta-se agora para o mundo natural. Com este deslocamento conceitual, o artista não somente leva a natureza ao centro da cena como confere autonomia às criaturas que habitam suas composições. Recorrendo a formas de compreender o mundo que escapam aos modelos científicos, iluministas e ocidentais, Kuschnir concebe esses seres como simbólicos plenamente dotados de alma.

Recusando uma representação naturalista, Kuschnir materializa a nova poética em imagens de aspecto híbrido pouco afeitas à perspectiva clássica, fundindo animal e paisagem, bem como suas respectivas almas. Forma-se uma continuidade visual pulsante entre padrões vegetais, curvas e sinais que atravessam a superfície pictórica e os animais que parecem prolongar movimentos da vegetação ao redor. Galhos transformam-se em linhas de força, a própria noção de corpo se expande e instaura uma conversa entre subjetividades pré-humanas, ressoando para além do tempo presente. A serpente, por exemplo, é aquilo que vemos, mas também o traçado da memória dos rios.

Sem reduzi-las às categorias de dominador e dominado, Antonio Kuschnir nos oferece estas criaturas da natureza como expressões de uma mesma energia — força que alimenta e dá vida, movimenta e circula em folhas, frutos, estrelas, vento e luz, fazendo do espaço um mesmo organismo vivo. Força essa que pode nos invadir também por meio da pintura, quando ela atinge sua capacidade máxima.

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