Na obra de Jarbas Lopes (Nova Iguaçu, RJ, 1964) há esculturas, desenhos, pinturas, objetos, performances e vídeos. De algum modo, todos eles são marcados pelo movimento, conceito visto por seus olhos de escultor formado pela Escola de Belas Artes da UFRJ, em 1992. Em Maricá, onde vive e trabalha afastado da agitação das grandes cidades, o artista articula os dois movimentos complementares que afirmam sua obra: o individual, de estudo e prática no ateliê; e o social, de encontro e participação coletiva.

No início dos anos 1990, a trama surgiu na obra de Jarbas como símbolo do encontro entre esses dois movimentos, permanecendo em sua pesquisa até a atualidade, o que ele descreve como uma relação íntima com a trama. Os primeiros experimentos foram tecidos com plástico em duas cores de alto contraste. Posteriormente, encontrou o material flexível que daria nome à série Pintura Elástica e possibilitaria ondulações ao plano, símbolo da bidimensionalidade privilegiada pela tradição da pintura. Nesses trabalhos, as tiras elásticas são geralmente tingidas de cores antes de serem tramadas em um tecido que envolve o chassi de madeira. Assim, elas tecem a tela e a pintura ao mesmo tempo, criando uma dimensão externa e uma interna para o objeto-pintura.
Em outra via, o ato de tramar em si, meditativo, evoca a dimensão individual do artista em contato com o imaginário coletivo da expressão. Enquanto a intenção é tão abstrata quanto concreta, o corpo mantém o ritmo do tecer e o pensamento se afasta para, depois, retornar. O quase transe.


No Shopping Leblon, a pesquisa de mais de três décadas ganha uma escala monumental. Jarbas Lopes pensa Dia e Noite em Escorpião como uma obra pública, por ocupar um espaço fora do museu e de grande circulação, aproximando a arte contemporânea do cotidiano. São treze metros de elástico pintado de branco, tensionados por esferas que emergem da superfície e a pontuam correspondendo às estrelas da constelação de Escorpião. Simples e familiar, a constelação é sistema de orientação e de significados múltiplos, que sobrevive em tantos povos e gerações, e aqui representa ainda a trama maior, a grande rede que organiza o universo e o lugar que nele ocupamos.




