Matéria e Paisagem
A relação entre escultura e jardim vem sendo construída desde, pelo menos, a Antiguidade, quando os gregos já colocavam suas obras entre árvores, junto à água. Aqui, no século XXI, a ArtRio valoriza esse vínculo antigo, somando-o ao jeito carioca de viver a arte, com o Pão de Açúcar no horizonte e o vento da baía emoldurando o cenário.




O museu a céu aberto da feira surge entre os dois pavilhões, no lugar onde paramos por um instante, antes de voltar para os estandes. A Baía de Guanabara, presença constante, compõe o pano de fundo que orientou o pensamento curatorial do jardim.
Em uma das paisagens mais deslumbrantes do mundo, as esculturas não disputam, mas se somam ao território. As linguagens diversas se aproximam ou se afastam ao longo do percurso, apontando a alteridade radical contemporânea.






Assim, este ano reunimos esculturas de artistas brasileiros de todo o país e nomes internacionais; figuras consagradas dividem o espaço com jovens e emergentes. As materialidades diversas vão do aço corten e do alumínio à taipa de pilão, à argila e à madeira. Os diálogos se alternam entre a construção civil, a arquitetura e o artesanato.
No fundo, é isso que o jardim propõe: a devolução do tempo raro para olhar com calma, para sentar num banco e deixar a escultura simplesmente estar ali, diante da baía. Por fim, dois elementos fundamentais compõem essa experiência: a luz e o próprio percurso de passear pelo jardim, que aqui se funde à atividade do espectador. Resgata-se, assim, o tempo largo da experiência antiga de viver os jardins de esculturas, entre diferentes temperaturas visuais, instaurando também novos estratos temporais. Esse tempo é o que queremos proteger. Por isso o jardim existe entre os pavilhões, para que antes de qualquer negociação a gente lembre que arte também se vive.










