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JARDIM DE ESCULTURAS – ARTRIO 2025

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Foto de Christiane Laclau

Christiane Laclau

Fundadora da Artmotiv

O jardim é um dos espaços mais íntimos para a escultura, relação que remonta à antiguidade, muito antes dos museus e das galerias de arte. Esse vínculo milenar foi apropriado como conceito pela ArtRio em 2017, quando seu novo endereço possibilitou a criação ousada do Jardim de Esculturas a céu aberto: onde a assepsia típica da profissionalização do mundo da arte é substituída pela restituição da experiência. O gesto distinto ganha novos contornos na 15ª edição da ArtRio. Pela primeira vez, o setor é confiado a uma curadora independente.

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Instaladas na esplanada da Marina da Glória, as obras ganham mais que as luzes variadas do dia ou o piso vivo do gramado verde. Elas têm o Pão de Açúcar como testemunha e a Baía de Guanabara como horizonte. O Jardim, portanto, é também um campo aberto de convivência da arte com a cidade. As esculturas são entrelaçadas à paisagem dos cartões postais cariocas, sendo erigidas sem a sisudez dos monumentos e ultrapassando a contemplação.


Na presente edição da ArtRio, o Jardim foi construído buscando apresentar um certo estado atual da escultura brasileira, experimentando como a pluralidade contemporânea pode funcionar nesse território familiar, mas um pouco esquecido para a técnica. São cerca de treze trabalhos, com nomes de diferentes escolas, gerações e regiões do país.

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Nesse glossário, há escalas variadas que podem tomar o corpo humano como medida ou desafiar as noções habituais de proporção educadas pela perspectiva clássica; há a multissensorialidade que tensiona os sentidos, compartilhando o ritmo e provocando o estranhamento; há o convite à participação ativa do espectador, que revela para si mesmo que também entrou em cena; há a rigidez do metal, o brilho irregular da cerâmica, o jogo gráfico dos azulejos, a leveza instável dos bambolês e o improviso que admite materiais cotidianos descartados pela sociedade.


O Jardim de Esculturas é um segmento da ArtRio, mas é também um lugar de pausa, de estar plenamente, mudando o ritmo de modo brusco, após as dezenas de estandes das galerias e quantidade avassaladora de informações, de obras e de gente. O deslocamento se torna um caminhar, conciliando a descoberta com o tempo necessário, estabelecendo e resgatando uma relação viva com as formas tridimensionais. Sobretudo, se está junto de verdade, longe da indiferença das multidões. Sem a pretensão do discurso único, assumimos a fragmentação inerente desse espaço, dando vez às obras, em sua diversidade formal e poética, para que tenham ressonância ao máximo nesse espaço e nos sentidos de quem viver o Jardim.

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